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domingo, 23 de janeiro de 2011

SIMPLISMENTE TE AMO





Me dê apenas um sorriso

Pois já não tenho tempo para esperar
me dê apenas seu amor
O tempo passou e preciso de seu amor
Toda minha vida eu sonhei com alguém como você
E em meus sonhos você vinha para mim
Eu jamais sairei do teu lado
Se você se olhar para si mesmo
Você descobrirá eu e você
Só olhe para si mesmo
Você descobrirá eu e voce 
PERDAO SE TE AMO ASSIM....,NAO SOU CULPADA AMOR.FOI SEM QUERER TE AMAR A ACABEI POR TE AMANDO.E ALIAS NINGUEM É CULPADO POR AMAR SIMPLISMENTE AMAMOS,...

VOCE UM BARCO NUM MUNDO PERDIDO DE SONHOS E EMOCIONALMENTE EM MEUS SENTIDOS.
EU NADA MAIS QUE UM GRAO DE AREIA NO DESERTO E PERDIDA NA PRAIA DE SUA VIDA TAMBEM INCAPAZ DE ENTENDER TUDO ISSO.
ESTOU ME AFOGANDO EM SEU OCEANO RESPIRANDO POR ENTRE BOLHAS DE PALAVRAS QUE ALIVIAM MEU SER.
O MEU AMOR POR TI NASCEU DE MODO ESPONTANEO LINDO DE ACONTECER TALVEZ UM SONHO LINDO.ATINGIVEL E REALIZADO.QUE JAMAIS DEIXARA DE EXISTIR
PERDOA-ME POR TER GOSTADO DE TI TANTO ASSIM AMOR MEU
POR TER ACONTECIDO EM SUA VIDA E TERMOS NOS AMADO DE FORMA CARINHOSA.
PARA VOCE AMADO ESPOSO
MARINO TOLEDO DA ROCHA FILHO
BY ALDA R M G TOLEDO

CASAMENTO FELIZ NA VISÃO DE DEUS










A Visão de Deus Diante de um Casamento Infeliz







David Kornfield






O número de casamentos infelizes está crescendo. O número de divórcios reflete isso. Nos Estados Unidos, pesquisadores, como Barna, indicam que a porcentagem de divórcios entre os que se chamam evangélicos é igual a da população de forma geral. Uma pesquisa Gallup indicou que 10% dos protestantes e 10% dos católicos são divorciados e que 26% dos protestantes e 23% dos católicos já foram divorciados em algum momento. Mais de um milhão de crianças, nos Estados Unidos, sofrem o divórcio de seus pais a cada ano e mais de 50% das que nascerão este ano experimentarão o divórcio de seus pais antes de completarem 18 anos. (Veja o Relatório Executivo ao final deste artigo.)


Será que o Brasil seguirá esse rumo? Será que as igrejas evangélicas andarão nesse caminho? Afirmamos categoricamente que Deus ama os divorciados, que a igreja deve ser um lugar seguro para eles, oferecer esperança e um contexto apropriado para restaurar suas vidas. Ao mesmo tempo, se a igreja reflete a sociedade de forma geral quanto ao número de seus membros que procuram o divórcio, temos que admitir que o evangelho perdeu seu poder. A igreja precisa ser um lugar seguro não apenas para divorciados, mas também para os que acreditam no casamento e estão dispostos a lutar por um casamento saudável.


Por que o casamento é tão importante para Deus? Por que Ele insiste “que o que Deus uniu, ninguém separe” (Mt 19.6)? Os propósitos de Deus para o casamento incluem:
· Revelar a imagem e semelhança d’Ele e os Seus propósitos em nos criar, abrindo um espaço para experimentarmos a comunhão que Ele tem na Trindade (Gn 1.26, 27).
· Resolver a solidão que aflige o homem desde antes da queda (Gn 2.18).
· Dar a cada pessoa a oportunidade de formar uma nova família, principalmente para aquele cuja família de origem era disfuncional (Gn 2.24; Mt 19.5, 6; Ef 5.31).
· Celebrar, no ato sexual, uma intimidade não apenas física, mas emocional e espiritual. Deus faz questão que esse ato expresse verdadeiro amor, pureza e aliança (pacto), reservando-o, por essa razão, para o casamento (Gn 2.24).
· Dar-nos alguém com quem podemos ser transparentes, autênticos, sem experimentar vergonha (Gn 2.25). O desejo d’Ele é que possamos amar e ser amados sem medo, porque o verdadeiro amor expulsa o medo (1 Jo 4.18).
· Revelar a grandeza do amor de Cristo por nós como sua Noiva, a Igreja (Ef 5.22-32). A história, de Gênesis a Apocalipse, enfatiza o amor de Jesus por sua Noiva e nós recebemos o privilégio de ser um espelho desse amor. Sua aliança, Sua fidelidade e Seus propósitos eternos revelam-se no casamento.
Dessa forma, não devemos ficar surpresos ao saber que Satanás empenha todos os seus esforços para acabar com casamentos saudáveis, prejudicando a muitos, tornando essa união numa relação intensamente infeliz para muitas pessoas. Se Deus, por Sua vez, não fizesse um compromisso de aliança conosco no casamento, não teríamos chances de nos aproximar dos Seus propósitos eternos. Um casamento saudável é realmente glorioso! E um infeliz, pode tornar-se num inferno, destruindo não apenas o casal, mas a família, e espalhando essa herança negativa às gerações seguintes.
Débora e eu trabalhamos com restauração de vidas. Deus nos permitiu fundar o ministério
REVER (Restaurando Vidas, Equipando Restauradores). Aprendemos que as dores das pessoas são reais e devem ser levadas à sério para que sejam restauradas. Empatia, chorar com os que choram e ajudá-los a desabafar, a liberar a dor e a experimentar Jesus levando essa dor sobre si são partes fundamentais na restauração de pessoas feridas. Ao mesmo tempo, precisamos entender bem os propósitos de Deus no sofrimento e não nos enganarmos em pensar que a felicidade das pessoas é o supremo alvo da vida ou de nosso ministério.
Tenho conversado com muitas pessoas crentes que experimentam diversos graus de abuso emocional em seus casamentos. Dizem não agüentar mais. Querem, de qualquer forma, algum escape, alguma saída. Isso é preocupante, pois cada um que se divorcia acaba influenciando outros e, se continuar assim, haverá uma epidemia de divórcio na igreja. Mas algo é ainda mais inquietante: perdemos a visão de Deus para o casamento e não acreditamos quando Ele comunica claramente Seu coração quanto a como agir em casamentos infelizes. A Bíblia traduz o coração d’Ele nesse sentido em quatro passagens, com os seguintes temas:
· Mal 2.10, 13-17 – Deus odeia o divórcio e a violência.
· Mt 19.3-12 – Não devemos nos divorciar a não ser no caso de adultério.
· 1 Co 7.1-17 – Bases bíblicas para o divórcio e novo casamento da parte dos crentes.
· 1 Pe 3.1-9 – Como tratar um cônjuge descrente.
Quando peço que pessoas infelizes leiam esses textos para ouvir a Deus sobre sua situação, muitas simplesmente desprezam a perspectiva bíblica e continuam focalizando a sua dor, seu sofrimento, sua infelicidade.
O mundo, a carne e o diabo juntam-se para nos convencer de que nossa felicidade é o que deve nortear nossas vidas. Esta crença, e os espíritos atrás dela, enganam o mundo e querem enganar os santos. A teoria do humanismo exalta o ser humano como um deus, ele é o mais importante. O espírito do individualismo exalta o indivíduo e sua realização pessoal. O hedonismo exalta o prazer e o “direito” de orientar a vida pela busca a qualquer preço da felicidade.
Muitas pessoas que sofrem em seus casamentos estão desnorteadas; focalizam mais sua dor que Cristo; preocupam-se mais com seu sofrimento do que em serem fiéis a Ele. Em parte é compreensível, porque quem sofre muito tende a perder a perspectiva sã e equilibrada. O problema aprofunda-se quando os pastores destas pessoas se perdem na dor delas também, apoiando-as na procura de sua felicidade através do divórcio. Essa procura da felicidade perde totalmente de vista as palavras de Jesus, quando disse: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará” (Mt 10.38, 39).
Precisamos lembrar que o sofrimento é parte natural do chamado cristão. Somos bem-aventurados quando insultados, perseguidos e caluniados por causa de Jesus (Mt 5.11). Paulo considerou tudo como lixo, como perda, como esterco para poder realmente conhecer a Cristo. Ele resume sua visão, dizendo: “Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte” (Fp 3.10). Deus e a Bíblia lidam seriamente com o assunto do sofrimento. Um livro inteiro da Bíblia é dedicado ao sofrimento injusto (Jó), os Salmos expressam com muita honestidade a dor e sofrimento do salmista; 1 Pedro foi escrito especificamente para crentes que sofrem nas mais diversas situações (na sociedade, no emprego e no casamento). Pedro ressalta que Jesus é nosso exemplo de como enfrentar o sofrimento e que devemos andar em Seus passos (1 Pe 2.21).
Todos sofremos, crentes e não-crentes, doenças, problemas financeiros, morte de alguém querido, assalto, casamento difícil... Como o cristão responde a esse sofrimento pode ou não refletir a glória de Deus e o exemplo de nosso Senhor e Salvador. Caráter forma-se na fornalha. Paulo considera que “os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Rm 8.18). Conheço poucas pessoas que têm sofrido fisicamente tanto quanto minha filha, Karis, que, com uma doença crônica, passou grande parte de sua vida com dor, internada em hospitais e diversas vezes desenganada pelos médicos. Mas a glória de Deus que vejo nela me emociona. Quem sofre no casamento tem um convite para esse caminho de glória. Há também a opção de fugir desse caminho estreito, trocando a glória de Deus por sua própria felicidade.
Lembremos: felicidade e alegria não são sinônimos. Felicidade é circunstancial, afetada por muitas coisas, como desemprego, dor, conflitos e adversidade. Alegria é um fruto contínuo do Espírito (Gl 5.22, 23) e uma expressão fundamental do reino de Deus (Rm 14.7). Saber a diferença e viver nessa alegria não é algo automático; é um aprendizado. Paulo aprendeu a adaptar-se e contentar-se em “toda e qualquer circunstância” através da graça de Deus que o fortalecia (Fp 4.11-13). Deus quer que tenhamos uma alegria que não dependa do nosso cônjuge. Este não tem o poder de dominar nossos sentimentos. Nós mesmos é que escolhemos e somos responsáveis por nossas escolhas. Quando deixamos o nosso cônjuge ter um poder indevido sobre nós, permitimos um tipo de idolatria em nossas vidas que gera uma série de seqüelas, não só para nós, mas também para nossos filhos.
Isso significa que Deus não se importa com nosso sofrimento, que Ele não dá ouvidos ao nosso clamor? De maneira alguma! As Escrituras nos falam constantemente do amor, da misericórdia e da compaixão de Deus. É exatamente por causa do Seu imenso amor que Ele não permite que adotemos práticas que irão nos prejudicar ainda mais. A pergunta mais pertinente é se nós confiamos o suficiente n’Ele para acreditar que os Seus mandamentos existem para nosso maior bem-estar, e que o caminho da obediência é o caminho de bênção para nós e para nossos filhos.
Vejamos, rapidamente, o intuito das passagens que falam da visão divina sobre como agirmos em casamentos infelizes. Iniciemos por 1 Coríntios 7, que fala especificamente a pessoas crentes casadas com descrentes. Aqui, Deus chama o cônjuge cristão a olhar para o casamento à luz da eternidade. O alvo não é ser realizado, alegre ou sentir-se bem. O alvo é a salvação do cônjuge e a santificação dos filhos. Se o cristão procura o divórcio quando o cônjuge não quer isso, o não-crente terá bastante razão para sentir-se ferido, magoado e amargurado não apenas com o cônjuge, mas também com o Deus dele (e com a igreja que apóia o divórcio, se for o caso).
Quanto aos filhos, alguém pode até achar que eles viverão muito melhor longe do cônjuge não-crente. Com certeza, se houver violência no lar, uma separação temporária seria indicada. Mas os efeitos negativos do divórcio nos filhos são bem documentados. Também existe um impacto sério no mundo espiritual. Quando Paulo fala que o cristão deve ficar casado para que os filhos sejam santificados (1 Co 7.14), eu entendo que quando um cristão honra a aliança de casamento, obedece a Deus e se comporta com fidelidade e amor num contexto difícil, os filhos ganham uma herança espiritual abençoada que de outra forma não poderiam adquirir. Se houver a quebra da aliança, o afastamento dos planos de Deus, a procura de sua própria felicidade acima de qualquer coisa, também será transmitida uma herança no mundo espiritual para as crianças, porém, amaldiçoada.
Meus pais e sogros tiveram casamentos bem difíceis. Sofreram muito. Mas a herança que eu tenho e a visão que tenho do casamento, de que ele permanece “até que a morte os separe”, fortalece-me tremendamente nos momentos que eu também lido com dificuldades. Passar esse legado para meus filhos é muito maior do que qualquer dinheiro ou posses que poderíamos deixar. Não apenas meus filhos, mas a igreja inteira e o mundo, com todo seu desespero, ganham confiança e esperança de que um casamento saudável é possível. Essa herança alcançará pessoas e gerações muito além da minha família.
1 Coríntios 7 mostra-nos que existe um padrão de comportamento mais elevado para o crente do que para o não-crente. O não-crente não conhece Jesus, não tem o poder do Espírito Santo, não sente obrigação alguma de evitar o que Deus odeia e não sente nenhuma necessidade de obedecer à Palavra de Deus. Ele pode divorciar-se. Paulo diz, porém, que o crente não pode (falaremos de uma exceção que vejo quanto a isso). O crente não pensa primeiro em si mesmo. O propósito de Deus ao criar o homem não é a sua auto-realização e sim que ele O glorifique e desfrute do Pai pela eternidade. O cristão pensa primeiro na glória de Deus e, em segundo lugar, conforme esta passagem, nas conseqüências eternas para seu cônjuge e filhos.
Por incrível que pareça, nas passagens indicadas neste artigo, Jesus, Paulo e Pedro não comentam a felicidade da pessoa num casamento difícil. Também não mencionam o amor ou a falta do mesmo. Ao falar de razões justificáveis para o divórcio, estes textos tratam de comportamentos objetivos e visíveis: o adultério (Mt 19) e o abandono (1 Co 7). Ainda que, em outro contexto, Jesus fale do adultério que acontece no coração (Mt 5.27-30), em Mateus 19 e 1 Coríntios 7, Jesus e Paulo não estão falando de adultério ou de abandono emocional. Falam de comportamentos objetivos e visíveis que um tribunal de justiça reconheceria.
Jesus, Paulo e Pedro não fazem alusão de como uma pessoa não-crente trata seu cônjuge. Não se referem ao abuso físico ou emocional. O profeta Malaquias sim, indica que Deus odeia o divórcio e a violência (2.16). Uma pessoa casada com um cônjuge violento deve tomar as medidas necessárias para se proteger, colocando limites saudáveis e afastando-se dele quando agir de forma violenta. Tanto o livro Limites, de Cloud e Townsend (Editora Vida), como O Amor Tem Que Ser Firme, de James Dobson (Mundo Cristão), dão boas dicas nesse sentido.
Se alguém não consegue se proteger da violência de seu cônjuge, crente ou não-crente, talvez precise separar-se. Infelizmente, pessoas crentes também podem ser abusivas. Quase sem exceção, abusadores foram vítimas de abuso no passado, provavelmente na infância. A igreja e o cônjuge abusado precisam reconhecer isso e procurar uma forma de tratamento para seus problemas. Ao mesmo tempo, se o abusador for resistente a tratar-se, a prioridade é dar apoio para que o cônjuge e os filhos não continuem a sofrer atos de violência. A igreja nunca pode estipular que se submeter a qualquer forma de violência seja parte do que significa ser “submisso” dentro de um casamento. Se o abusador for membro da igreja, é preciso confrontá-lo e corrigi-lo, seguindo os passos de Mateus 18.15-17 que pode, na pior das hipóteses, chegar à disciplina máxima da igreja. Ela deve ser um lugar seguro, onde pessoas abusadas podem falar a verdade sobre suas vidas e seus relacionamentos e receber a proteção e o apoio necessários.
Existem casos onde uma separação temporária ou até prolongada é indicada. Mas já que Paulo deixa claro que não deve haver separação, eu entendo que a mesma precisa ser feita sob a perspectiva de reconciliação. O alvo da separação temporária é a restauração do casamento. O motivo da separação é a proteção emocional e física da pessoa abusada, visto que, na separação temporária, haverá maiores chances de cura e crescimento da parte de ambos os cônjuges, para que o casamento possa ser restaurado.
Quando um casamento é tão penoso a ponto de um cônjuge agir como se fosse inimigo (sendo ele crente ou não), precisamos voltar às palavras de Jesus sobre como tratar nossos inimigos (Mt 5.43-48; Lc 6.27-36). Seja debaixo do mesmo teto ou separados, Ele nos ensina pelo menos quatro atitudes em relação a esse cônjuge “inimigo”:
1. Amá-lo. Este amor não é um sentimento romântico, mas uma atitude de desejar o melhor para o outro, agindo segundo esse desejo. Muitas pessoas em casamentos delicados queixam-se de que perderam seu amor pelo cônjuge. O amor ágape indicado aqui vem de Deus; não é natural a nós. Esse amor se perde apenas se perdermos o vínculo com Deus. Se perdermos esse amor, nosso problema é maior e diferente do que a falta de um sentimento especial pelo nosso cônjuge.
2. Orar pela pessoa que nos maltrata, intercedendo por seu arrependimento, para que ela caia em si, encontre a Jesus e O veja em nós.
3. Fazer o bem para quem nos odeia. Uma expressão desse “bem” pode ser insistir para que o cônjuge procure aconselhamento ou passe por algum tratamento de restauração como uma condição de continuarem juntos, ou de voltarem a morar juntos, se já estiverem separados.
4. Abençoar quem nos amaldiçoa. Precisamos lembrar que pessoas abusadas naturalmente abusam também. Pessoas feridas naturalmente machucam outras. José do Egito, abusado por seus irmãos, em sua dor, não percebeu que ele também os machucou profundamente. Precisamos abençoar nosso cônjuge, pois, do contrário, faremos mal para ele (veja 1 Pe 3.9).
Eu não tenho dúvida de que essas atitudes são impossíveis para qualquer ser humano que dependa apenas de si mesmo. Precisamos rogar que o Espírito Santo nos encha para amar como apenas Ele pode. Ora, se até as dicas que Paulo dá para casamentos bons e saudáveis, em Efésios (5.21-31), são baseadas na condição de sermos cheios do Espírito (Ef 5.18), quanto mais num casamento disfuncional ou abusador!
Paulo fala de submissão da esposa ao marido (Ef 5.22-24). Não é uma submissão cega. Existem dois níveis de autoridade acima da autoridade humana em nossas vidas: as Sagradas Escrituras e a nossa consciência. Se, por exemplo, o marido quer forçar sua mulher a fazer algo que ela entende ser contrário ao ensino bíblico ou contra sua consciência, ela deve desobedecê-lo, ao mesmo tempo que demonstra respeito e até aceita possíveis punições. (Veja o exemplo de Pedro e João que, respeitosamente, desobedeceram os líderes religiosos, em Atos 5.27-42, aceitando as conseqüências. Essa atitude se tornou famosa através da “desobediência civil”, da parte de grandes líderes, como Gandhi e Martin Luther King.)
Ser maltratado não é algo que necessariamente vai contra nossa consciência. Pedro dá instruções claras e profundas a escravos cristãos para se submeterem não apenas aos bons e amáveis chefes, mas também aos maus. Ele elogia o suportar aflições injustas por causa do nome de Cristo ou por fazer o bem. Chama-os a andar nos passos de Jesus que “quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças” (1 Pe 2.18-23a). Após descrever todo o contexto do escravo e de como Jesus agüentou ser maltratado, Pedro inicia tanto as instruções para a esposa, como para o marido no capítulo seguinte, com as palavras “Do mesmo modo” (1 Pe 3.1, 7). Ele orienta como agir quando somos maltratados pelo governo (1 Pe 2.13-17) ou no trabalho (1 Pe 2.18-21); essas orientações se aplicam aos maus-tratos ou abuso no casamento. Ao mesmo tempo, como já mencionado, isso tem seus limites. Se a saúde física, a vida da pessoa ou a saúde emocional estiverem ameaçadas, uma separação temporária seria indicada.
Retomando o ensino bíblico para casamentos em crise, Jesus enfatiza que o que Deus uniu, ninguém deve separar (Mt 19.6). A aliança do casamento se dá entre três pessoas: Deus, um homem e uma mulher. Em primeiro lugar, divórcio vai contra a natureza de Deus, contra o caráter d’Ele, contra demonstrar que somos parte de um povo fiel que cumpre Sua palavra e mantém Sua aliança. Não deve nos surpreender que Deus odeie o divórcio.
Quando o crente toma a iniciativa para se divorciar, age como um não-crente, não acredita que Deus sabe melhor do que ele, não se submete a obedecer Sua Palavra, escolhe fazer o que Deus odeia e, provavelmente, afasta seu cônjuge ainda mais da presença do Deus Eterno. Paulo ensina que, sendo paciente e perseverando no casamento, poderemos ver uma de duas coisas: o cônjuge arrepender-se ou arrebentar-se. No primeiro caso, salvamos nosso cônjuge e o casamento e resgatamos algo imensuravelmente precioso para nossos filhos. No segundo caso, se o não-crente optar por sair do casamento ou adulterar, ele nos libera dessa aliança, dando-nos até a opção de casar novamente (1 Co 7 e Mt 19).
O que fazer se o cônjuge não-crente ou abusador nunca se arrepende e muda, mas permanece dentro do casamento? Isso talvez seja o maior medo dos cristãos que sofrem em casamentos infelizes. Ainda se for necessário se separarem por motivos de abuso, eles devem continuar com as atitudes indicadas sobre nossos “inimigos”. Alguém que está num estado prolongado de separação pode perguntar “nunca poderei me casar de novo e ser feliz?” Eu entendo que Jesus menciona esse assunto de forma indireta, em seu ensino em Mateus 19. Quando os discípulos acham que a visão de Jesus para o casamento é pura utopia, ele responde: “Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite.” (vv. 11, 12).
Eu enxergo que alguns se fazem eunucos (celibato) por causa do Reino, optando por não entrar na felicidade de um novo casamento porque seus olhos estão fixos em Jesus e Seus propósitos eternos. Aguardando a salvação do cônjuge, entregam suas vidas para Jesus (incluindo suas vidas sexuais), agindo, assim, como verdadeiros discípulos ou filhos de Deus. Isso implica evitar intimidade e qualquer situação que possa levá-los a se envolver emocional ou fisicamente com o sexo oposto. Se, por motivos da violência do cônjuge, um cristão precisa ficar separado fisicamente dele, deve assumir a atitude que Paulo relata no final de 1 Coríntios 7, sobre dedicar-se a Jesus com toda sua energia e tempo, como se fosse solteiro. Ao mesmo tempo, ele precisa ter o cuidado de não deixar o ministério ser um motivo para se afastar das quatro atitudes já indicadas, sobre como se relacionar com seus inimigos.
Seria um pecado a igreja ou um líder pastoral apenas apontar tudo isso e dizer que vai orar pela pessoa que sofre num casamento complicado. Fé sem obras é morta (veja Tg 2.14-17). A igreja precisa oferecer diversas formas de ajuda para essa pessoa. As três principais são:
1. Grupos familiares, um contexto onde a pessoa abusada pode experimentar um lugar seguro, um ambiente familiar saudável e aprender, se não sabe ainda, como relacionar-se de forma sadia.
2. Grupos de apoio compostos especificamente de pessoas com problemas que não conseguem resolver. Aqui ela encontra companheiros de jugo, um lugar onde pode ser realmente honesta, transparente e autêntica em seus altos e baixos, e um contexto no qual tratar seus próprios problemas emocionais. (Veja meus livros Aprofundando a Cura Interior através de Grupos de Apoio, Volumes 1 e 2, Editora Sepal. Veja também o livro de Débora, Vítima, Sobrevivente, Vencedor. Perspectivas sobre Abuso Sexual, Editora Sepal, que orienta como montar um grupo de apoio para vítimas de abuso.)
3. Casais apoiadores. Estudos feitos nos Estados Unidos (que são citados no site, indicado no relatório ao final deste artigo) demonstram que a porcentagem de divórcios caiu de forma marcante e visível não apenas em uma igreja, mas em cidades inteiras, onde casais saudáveis e capacitados adotaram e acompanharam casais com dificuldades.






A igreja precisa acordar, erguer-se e ser eficaz em resgatar casamentos em crise. Precisamo
parar de oferecer apenas “curativos” para pessoas que sofrem de câncer no seu casamento, e dar apoio, esperança e formas práticas para que elas passem de vítimas a sobreviventes e vencedoras. Quando um cristão se divorcia do seu cônjuge, de alguma forma muito profunda, está comunicando que falhou na relação mais fundamental de sua vida. Mas ele não falhou sozinho. A igreja precisa reconhecer que também falhou ao não dar o apoio, o conselho e a ajuda necessários.


Se a igreja oferecer tudo isso e o crente ainda decidir divorciar-se, resta ainda um passo difícil do “amor que tem que ser firme”, um passo que muitas igrejas hoje em dia não têm coragem ou integridade para tomar. Quando uma pessoa decide violar consciente e abertamente o ensino bíblico, os passos de confronto e disciplina em Mateus 18.15-17 devem ser seguidos. Como podemos dizer que levamos o casamento a sério se passamos a mão na cabeça de pessoas que optam em, explicitamente, desobedecer o ensino bíblico nesta área? Em nome de enxergá-las como vítimas, coitadas, doloridas, feridas e não sei quantas outras coisas, apoiaremos a desobediência explícita à Palavra de Deus? Se fizermos isso, abandonamos tanto o amor verdadeiro, como a autoridade das Escrituras. Desafio a igreja a erguer-se, tanto no consolo, aconselhamento e apoio verdadeiro, como em defender o ensino e a prática da visão bíblica do casamento.
Resumindo, Deus tem uma visão gloriosa da aliança do casamento que demonstra Seu caráter e propósitos divinos. O cristão casado com uma pessoa difícil ou abusadora precisa manter essa visão. Seu alvo deve ser glorificar a Deus e amar seu cônjuge com a esperança de ver a sua salvação e a salvação de seus filhos. A igreja deve apoiar de forma palpável na procura de restauração de seu casamento, incluindo ensino bíblico e disciplina, se for necessário. Se alguém precisa separar-se para proteger-se da violência, isso deve ser um passo temporário com vistas à restauração do casamento. Dentro ou fora da mesma casa, devemos amar nosso cônjuge, orar por ele, fazer o bem a ele e abençoá-lo. Nosso supremo alvo não é a nossa realização ou felicidade, mas glorificar a Deus e desfrutar d’Ele para sempre.

OUTRO POST SOBRE DIVORCIO E NOVO CASAMENTO




Divorcio e novo Casamento, o que a Bilblia ensina ?Postado por Wilke

DIVÓRCIO E NOVO CASAMENTO

Introdução

É permitido ao homem ou à mulher divorciar-se e casar-se novamente?

Deus aprova que alguém se case com um a pessoa divorciada?
Para tratar esse complicado e controverso tema, creio que seja necessário seguir uma certa ordem metodológica:

Primeiro, analisar as passagens que tratam o assunto mais clara e diretamente e depois estudar as que são mais difíceis de compreender àluz destas. A revelação no Antigo Testamento aparece gradual e progressiva até chegar a Cristo, que é a revelação plena de Deus para todos os homens de todos os tempos. Por isso, penso  que seja melhor abordarmos primeiro as passagens do Novo Testamento. Creio ser mais correto começar pelas palavras de Jesus registradas nos evangelhos, para depois considerar as passagens do Antigo Testamento à luz delas.

Segundo, enfocar primeiro a regra geral sobre o tema e depois abordar as exceções. Se tratarmos os casos de exceção primeiro, sem antes estabelecermos
a regra, terminaríamos fazendo da exceção a regra e da regra a exceção, desvirtuando o ensino do Senhor.
Terceiro, resolver primeiro o aspecto bíblico do tema. Se considerarmos os casos sem ter definido o enfoque bíblico corremos o risco de emitir nossos próprios juízos baseados em raciocínios e sentimentos humanos não na Palavra de Deus.

1) O Que Jesus Disse Sobre o Assunto
Para seguir a ordem proposta, consideremos primeiro as declarações de Jesus sobre o divórcio e o recasamento, aquelas que, sem dúvida, sejam claras completas e conclusivas. Trataremos primeiro a regra geral em seguida a exceção assinalada por Jesus e por Moisés.
Os evangelhos citam quatro vezes as palavras de Jesus sobre a questão:
Marcos 10.11-12 Qualquer que repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra ela; e se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério.
Lucas 16.18 Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada pelo marido, também comete adultério.
Mateus 5.32 Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz que ela cometa adultério; e quem casar com a repudiada, comete adultério.
Mateus 19.9 Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
Como se pode observar, Jesus estabelece sobre essa delicada questão uma regra geral e uma cláusula de exceção.
A exceção a regra é: “a não ser por causa de fornicação”; ou o “salvo por causa
de fornicação”.
Cabe destacar que nem Marcos nem Lucas incluem a cláusula de exceção; só Mateus o faz nos dois textos citados. (O fato de Mateus ser o único a incluir essa cláusula de exceção, em meu entendimento nenhuma razão que mais a frente mencionarei).

A Regra Geral

Como Já mencionei anteriormente, a primeira coisa que temos que ter claro é a regra geral estabelecida pelo Senhor. Depois abordaremos a cláusula de exceção.
É obvio que a regra geral envolve os casos daquelas pessoas que se divorciam e se casam de novo sem que exista o precedente da “fornicação”,aqueles que o fazem por sinceramente já não se quererem mais, ou não se davam bem, ou por outras razões não compreendidas na cláusula de exceção.

Analisemos algumas possibilidades:

Caso 1: Deus permite a um homem divorciar-se de sua esposa e casar-se com outra mulher? Ou a uma mulher divorciar-se de seu marido e casar-se com outro homem?
Resposta: (Não estou interpondo nenhuma explicação ou interpretação humana, apenas me limito a transcrever a clara e definitiva resposta de Jesus); “Qualquer que repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra ela; e se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério”
(Mc10:11-12).

Caso 2: É permitido a uma mulher que foi repudiada casar-se com outro? (Cabe a mesma pergunta a um homem repudiado por sua mulher).
Resposta: “Todo aquele que repudia sua mulher,a não ser por causa de fornicação, faz que ela cometa adultério; e quem casar com a repudiada, comete adultério”
(Mt5:32). Ou como diz a Bíblia de Jerusalém “a expõe a cometer adultério”.

Caso 3: O senhor permite que alguém se case com uma pessoa divorciada?
Resposta: “e quem casar com a repudiada, comete adultério” Mt5:32, Mt19:9, Lc 16:18).

Caso 4: Já vimos que se um homem se divorcia de sua mulher e se casa com outra, adultera. Mas, seu adultério libera a primeira mulher para casar-se com outro?
Resposta: “Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada pelo marido, também comete adultério” (Lc16:18).
Qual é a condição espiritual dessas pessoas diante de Deus?

Segundo as declarações de Jesus, os que se divorciam e se casam de novo, ou os que se casam com pessoas divorciadas estão em adultério.
Todos os textos reiteram isso de modo claro e conclusivo.

A gravidade dessa condição é que enquanto as pessoas continuam com essa relação ilícita, seguem estando em adultério.
Jesus, quando se encontrou com a mulher samaritana que estava nessa situação, lhe disse: “cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido” (Jo4:18).
2) Jesus Interrogado Pelos Fariseus
Mateus 19:3-12
A Pergunta dos Fariseus
Os fariseus foram até Jesus com a seguinte pergunta: “é permitido ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” Mateus, como Marcos, esclarece que a intenção dos fariseus era “tentar”a Jesus. Queriam surpreender a Jesus em alguma contradição com a lei de Moisés, a fim de desacreditá-lo como enviado
de Deus. Mas Jesus nunca contradisse a Moisés. Ele declarou: “Não
vim para revogar a lei, mas sim para cumpri-la” (Mat.5.17-19). Moisés
não falou por sua própria conta, senão da parte de Deus, o mesmo que Jesus. No que se refere à lei moral, Jesus e Moises coincidiram em tudo. Jesus não exigiu uma justiça maior que a de Moisés, senão maior que a dos escribas e fariseus, que faziam uma aplicação tendenciosa e errônea da lei.

A Resposta de Jesus
Diante dessa pergunta dos fariseus, a resposta de Jesus foi um sonoro “não”. E fundamentou seu “não” citando justamente Moisés no texto de Gn2:24. Trata-se da lei fundamental estabelecida por Deus ao instituir o matrimônio: “Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne”. E Jesus o reforçou adicionando: “Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem”.
(É interessante que Marcos em seu Evangelho, ao relatar o mesmo episódio, diz que os fariseus perguntaram se “era lícito ao marido repudiar sua mulher”, sem agregar “por qualquer motivo”,e a resposta de Jesus em ambos os casos foi a mesma).

O Contra Ataque dos Fariseus

Diante da resposta negativa de Jesus, os fariseus acreditaram ter finalmente descoberto uma contradição entre Jesus e Moisés e perguntaram:
“Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?” Querendo dizer “como é que tu dizes não quando Moisés diz sim?”
Jesus não ignorava a única exceção que a lei fazia quanto ao divórcio, de acordo com Deuteronômio 24:1-4.
Mas os fariseus, escondendo-se atrás dessa exceção(texto que logo analisaremos), haviam convertido a prática do divórcio numa alternativa válida e permitida por Deus, e a exceçãohavia se tornado quase uma regra geral, tal como acontece em nossos dias.
Jesus lhes apontou a razão da exceção: “Pela dureza de vossos corações Moisés vos permitiu repudiar vossasmulheres; mas não foi assim desde o princípio”.

O Único Caso de Divórcio Permitido no A.T.

Em que caso Moisés permitiu o divórcio?

A resposta está em Dt24:1-4: “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, se ela não achar graça aos seus olhos, por haver ele encontrado nela coisa vergonhosa, far-lhe-á uma carta de divórcio...”
Esse texto diz duas coisas: A primeira é o tempo. O momento que se pode produzir o divórcio é logo que o casamento é consumado: “Quando
um homem tomar uma mulher e se casar com ela”. A segunda tem a ver com as condições em que esse divórcio é permitido:
“se ela não achar graça aos seus olhos, por haver ele encontrado nela coisa vergonhosa”. Como essa expressão não foi muito explícita, deu lugar a diferentes interpretações entre os judeus. Nos dias de Jesus, os mais liberais, da escola de Hiliel, sustentavam que o homem podia repudiar sua mulher por qualquer motivo.
Outros seguiam a interpretação do rabino Sammai, que afirmava que “coisa vergonhosa” se referia ao adultério.
Os versículos 2,3 e 4de Dt24 dizem várias coisas:

1. Que a ruptura ou o divórcio devia acontecer formalmente, por escrito, e era de caráter definitivo.
2. Que neste único caso, os divorciados ficavam livres para casar-se com outra pessoa. Praticamente significava a anulação do matrimônio recém-contraído.
3. Que o primeiro marido não podia volta a tomar a mulher que havia repudiado se ela tivesse se unido a outro marido depois.
A dificuldade principal com essa passagem está no verso 1, por sua aparente falta de clareza. Diante disso, Jesus (que nunca caiu em contradição com Moisés), deu a correta interpretação ao declarar
“Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher,a não ser por causa de fornicação, e casar com outra,comete" adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mt19:9).

A Cláusula de Exceção

O Que significa “a não ser por causa de fornicação”? A chave para interpretar bem estas palavras de Jesus é conhecer o significado da palavra fornicação especificamente nessa passagem. Nos equivocaríamos se aplicássemos a este texto significados que a palavra “fornicação” pode assumir em toda a Bíblia, pois sabemos que nas Escrituras, uma mesma palavra pode ter diferentes sentidos.
Vejamos alguns exemplos:
A palavra “mundo” (em grego “cosmos”) tem nas
Escrituras diferentes significados: em Ef1:4, é sinônimo de universo; no salmo 24:1 do planeta Terra; em Jo3:16 de toda a humanidade;em 1Jo2:15 se refere ao sistema da sociedade atual rebelde e inimiga de Deus. Seria um erro de interpretação fazer uma soma total dos diferentes significados e aplicá-lo a cada versículo da bíblia onde aparece o termo “mundo”.
O mesmo acontece com a palavra “carne” (“sarx” em grego). Às vezes significa a carne física, o corpo; outras vezes,a humanidade; em outras, a fragilidade humana; e em outras ocasiões se refere a nossa natureza pecaminosa.
Do mesmo modo, a palavra “fornicação” (em grego “porneia”) tem na Bíblia pelo menos cinco significados diferentes:
1. Fornicação = relação sexual entre solteiros
(ex: 1Co7:7, Dt22:21, Lv 19:29, 1Ts4:3-4).
2. Fornicação = união ilícita, proibida pela,lei de Deus (1Co5;1, Dt22:30, Lv18:8, Dt27:20).
3. Fornicação = Todo tipo de pecado sexual incluindo o adultério
(1Co6:13-18, Nm25:1)
4. Fornicação = Prostituição e comércio sexual de prostitutas. A palavra prostituta em grego é “porne”, tem a mesma raiz de “porneia”. (Lc15:30, 1Co6:16).
5. Fornicação = Infidelidade espiritual, idolatria (Jr3:6,
Ez 23, Ap17:1-2)
Fica claro que não se pode dar à palavra fornicação a soma de todos esses significados.
Pois bem, quem é a autoridade que determina qual o significado da palavra “fornicação” em cada caso, ou pelo menos na cláusula de exceção que estamos considerando? A interpretação correta é dada pelo sentido lógico o próprio texto,
do contexto e do resto das Escrituras.
Cristo afirma em Lc16:18 que “Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada pelo marido,também comete adultério”. Observemos que o adultério
cometido por um homem não libera a esposa inocente para poder casar-se
com outro.
O mesmo texto de Mt19:9, se lermos com cuidado, nos impede de darmos á
palavra fornicação o significado de adultério, pois ainda que o marido haja cometido adultério ao divorciar-se e casar-se com outra mulher, Cristo adverte que a mulher repudiada e inocente comete adultério se se casar com outro.
Portanto, não se pode considerar o adultério como motivo de divórcio com a possibilidade de contrair novo matrimônio.
De acordo com o sentido do texto e de outros textos comparativos, a palavra fornicação em Mt19:9 e 5:32, não tem o significado de adultério. Os dois possíveis sentidos são: Ter praticado relações sexuais sendo solteiro(a), ou estar em uma união ilícita,que deve ser dissolvida.
É também importante notar que Jesus nunca disse “a não ser por causa de adultério” (grego “moicheia”),e sim “a não ser por causa de fornicação (grego“porneia”). E quando uma pessoa divorciada se casa com outra nunca disse “porneia”, e sim “moicheia”.
As próprias declarações de Jesus impedem de darmos a palavra “porneia” em Mt19:9 e 5:32 o significado de adultério.
Isso explicaria o que foi dito por Moisés: “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, se ela não achar graça aos seus olhos,por haver ele encontrado nela coisa vergonhosa, far-lhe-á uma carta de divórcio...”. O que pode um homem encontrar de indecente em uma mulher ao casar-se com ela? O sentido mais provável é que descubra que sua mulher não é virgem. Quando aparecia esse tipo de situação ao casar-se, existiam dois procedimentos
a seguir segundo a lei: Se o casal estava em litígio, o marido
poderia enfrentar um julgamento público. Se a questão fosse sem litígio, e ele não a quisesse como esposa, deveria escrever uma carta de divórcio e despedi-la definitivamente.
Dt22:13-21 explica o procedimento a ser seguido em caso de litígio entre o marido e a mulher e que requeria para sua resolução um julgamento
oficial. Se fosse comprovava a inocência da mulher e sua virgindade,
ele deveria pagar uma multa ao pai dela “e ela ficará sendo sua mulher, e ele por todos os seus dias não poderá repudiá-la”(v19). Mas se fosse demonstrado que ela não era virgem no momento em que se casou, devia ser apedrejada e morta (v20-21).
 Dt24:1-4 fala de outro procedimento a seguir quando surgia o problema. Se o marido quisesse anular o casamento recente “por haver ele encontrado nela coisa vergonhosa”, que ela não negava, escrevia uma carta de divórcio e ambos ficavam livres.Cristo se refere a esses casos ao dizer “a não ser por causa de fornicação”. Ou seja, somente nessas circunstâncias se o home se divorcia e se casa de novo não comete adultério e se a mulher repudiada se casa com outro não comete adultério (nem o que se casa com ela). Naturalmente, o marido tem outra possibilidade: perdoá-la e recebê-la como sua esposa.
De modo que o ensino de Moisés e o de Cristo coincidem. Cristo não contradisse Moisés, mas o confirma e o esclarece.Por que Mateus é o único a incluir a cláusula de exceção?

Na minha opinião, como Mateus escreve seu evangelho para os judeus, toma o cuidado de mencionar a exceção para que não pareça que houvesse uma contradição entre Moisés e Jesus.
A cláusula de exceção na verdade tem um uso prático e muito remoto.

Qual era a intenção da lei em Dt22:13-21 e Dt24:1-4 ?
1. Advertir todas as meninas e donzelas de Israel a manterem sua virgindade até o dia do casamento.
2. Que se alguma donzela tivesse pecado e perdido sua virgindade, sabendo os riscos que corria, confessasse, antes de casar, seu estado ao seu pretendente(o mesmo devia fazer o marido).
3. Que no caso em que a mulher estivesse em falta e o marido não a quisesse como esposa, houvesse uma opção pacífica para resolver o conflito sem necessidade de recorrer ao julgamento públicoe a conseqüente pena de morte.
4. Proteger a mulher repudiada para que o homem que a houvesse repudiado não tivesse, dali em diante, mais nenhum direito sobre ela.
5. Deixar ambos livres para contrair novo patrimônio, pois praticamente se tratava de uma anulação do casamento recém realizado.
3) As Instruções do Apóstolo Paulo
1 Coríntio 7Esta é a passagem mais extensa e talvez a única das epístolas que aborda essa questão. Pelo que disse n 1º versículo,Paulo está respondendo uma série de questões que os irmãos de Corinto lhe haviam feito. Trata-se de uma das poucas ocasiões em que Ele distingue com clareza o que disse o Senhor e o que é sua opinião pessoal.
Enquadrado dentro desse conselho pessoal, Paulo recomenda aos solteiros, às donzelas e às viúvas que, se elas têm o dom de continência,sigam seu exemplo de manter-se celibatário, pois “o tempo é curto”, e para dedicar-se ao Senhor. Mas deixa muito claro que, se casarem, “não pecam”; se casarem “fazem bem” e se não casarem “fazem melhor”. Mas em nenhum lugar diz aos divorciados que se se casarem não pecam.
Nos vs10-11 fala da situação dos casados: “Todavia, aos casados, mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido; se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”.

O Senhor disse claramente “que não se separem”. Mas se a separação de qualquer forma ocorrer, seja por desobediência ao Senhor, ou porque a convivência se tornou insustentável, ou porque o cônjuge incrédulo decide se separar o s divorciar; as alternativas são duas: “fique sem casar ou se reconcilie com seu marido”.

A separação é um primeiro erro (que às vezes não se pode evitar). O novo casamento seria um segundo erro, muito mais grave do que o primeiro,que seria, segundo as palavras de Jesus, cometer adultério. Assim,Paulo enfatiza: "Ordeno não eu, mas o Senhor".Nos vs12-16 o apóstolo aborda uma situação pontual: o caso de um casamento em que um dos dois se converte e o outro não. Lendo cuidadosamente esses versículos vemos que:

1. O cônjuge crente não deve abandonar o não crente.
2. Se o cônjuge não crente se separa, o crente deve aceitar com paz essa situação.
3. Em nenhum lugar nesse capítulo se diz que o crente abandonado por seu cônjuge infiel pode voltar a casar-se.

Os que vêem no versículo 15 uma liberdade para se casarem com outro, estão tirando o texto do contexto. Nos vs10 e 11, Paulo deixa bem estabelecido que se acontecer a separação, deve-se ficar sem casar.
Aqueles que argumentam que a palavra grega “corizo” significa “separação por divórcio vincular”, se equivocam, pois o mesmo verbo“corizo” aparece nos vs10 e 11 do mesmo capítulo, ondese diz claramente que nenhum dos dois tem liberdade de casar-se de novo.
Além disso, o mesmo termo é usado em At1:4 e 18:1 onde facilmente se verifica que não se refere a um divórcio vincular, senão simplesmente a uma “separação”, e às vezes uma separação temporária como a de Onésimo e Filemon. De modo que, à luz das declarações de Cristo, e do que foi escrito por Paulo em 1Co7:10-11, o verso 15 deve ser interpretado simplesmente como que uma mulher crente, abandonada por seu marido incrédulo, não está obrigada a continuarsendo sua esposa, pode ficar sozinha e em paz. Mas o texto não diz que está livre para casar-se de novo com outro homem. Os que afirmam tal coisa o fazem por uma simples dedução.

O único caso que Paulo explicitamente diz que a mulher está livre para contrair novo matrimônio é se ela ficar viúva: “A mulher está ligada enquanto o marido vive; mas se falecer o marido,fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”.

Em Rm7:2-3, Paulo está falando de outro assunto, mas faz referência ao mesmo princípio: “Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido. De sorte que, enquanto viver o marido, será chamado adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido”.

Paulo diz aqui exatamente o mesmo que Jesus (e não poderia ser de outro jeito). A mulher casada que, estando seu marido ainda vivo, se casar com outro homem, será chamada “adultera”. Tanto para Jesus quanto para Paulo a segunda união é um adultério.

4) Deus Odeia o Divórcio

No último livro do A.T., através do profeta Malaquias, Deus fala muito irado contra os sacerdotes de Israel. Em seu enérgico protesto lhes diz:
“amaldiçoarei as vossas bênçãos; e já as tenho amaldiçoado...” (Ml2:2). Por que? No capítulo 2 de Malaquias ele lhes aponta concretamente três pecados: O fazer acepção de pessoas (v9-10). O profanar o santuário casando-se com mulheres pagãs (v11-12); e o divorciar-se de suas esposas (v13-16). Essa passagem é tremenda:
“Porque o Senhor tem sido testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, para com a qual procedeste deslealmente sendo ela a tua companheira e a mulherda tua aliança. E não fez ele somente um, ainda que lhe
sobejava espírito? E por que somente um? Não é quebuscava descendência piedosa? Portanto guardai-vos em vosso espírito,e que ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Poiseu detesto o divórcio, diz o Senhor Deus de Israel, e aquele que cobre de violência o seu vestido; portanto cuidai de vós mesmos, diz o Senhor dos exércitos; e não sejais infiéis”.
“El Señor es testigo de que tú has faltado a la promesa que le hiciste a la mujer con quien te casaste cuando eras joven. ¡Era
tu compañera y tú le prometiste fidelidad... El Señor,
Dios de Israel, el Todopoderoso, dice : ¡Cuiden, pues, de su propio
espíritu, y no sean infieles ; pues yo aborrezco al que se divorcia
de su esposa y se mancha cometiendo esa maldad !” (versión
D.H.H.)
Deus odeia o que se separa de sua esposa, porque falta em seu compromisso, ao pacto que fez ao casar-se com ela.
Simplificando, Deus odeia todo tipo de divórcio, e tolera unicamentea exceção estabelecida por Ele.
5) O Mínimo e o Ideal
Alguns sustentam que o ideal é não divorciar-se e passar toda a vida com o mesmo cônjuge, mas dada a realidade do pecado e a complexidade
dos seres humanos, devemos ser mais flexíveis e admitir a possibilidade
de que a pessoa possa refazer sua vida contraindo um novo matrimônio.
Eu pergunto: Quem é que manda, nós ou o Senhor? Qual é
a palavra que define, a nossa ou a Dele?
Se para Cristo o divorciar-se e casar-se de novo é adultério, eu pergunto: o não cometer adultério é o ideal ou o mínimo que Deus exige?
Não diz a palavra de Deus que os adúlteros não herdarão o reino de Deus? (1Co6:9-10)
O ideal é que o marido ame sempre sua esposa como Cristo amou a Igreja.
O ideal é que La mulher sempre, com um espírito manso e
tranqüilo, respeite seu marido e se sujeite a ele.
O mínimo que Deus exige é que não cometamos adultério
abandonando nosso cônjuge e contraindo novo matrimônio.
Resumindo

1. Divorciar-se e casar-se de novo é cometer adultério.

2. Casar-se com uma pessoa divorciada é cometer adultério.

3. O repudiar o cônjuge é expô-lo ao adultério.

4. O adultério de um dos dois, não libera o cônjuge
inocente para casar-se com outro.

5. Se um casal se separa, ambos têm apenas duas alternativas: ficar
sem casar ou reconciliar-se.

6. Em um matrimônio misto, o cônjuge crente não deve
tomar a iniciativa da separação.

7. A única exceção permitida de divórcio com
a possibilidade novo casamento é quando ao casar-se, se descobre
que houve imoralidade sexual; e essa permissão é por causa
da dureza do coração.
O fato das leis de um país permitirem o divórcio vincular, não modifica em nada a situação dos cristãos, pois nós
estamos sob o governo de Deus e de suas leis, que permanecem para sempre.
Para um estudo mais amplo sobre esse tema, recomendo o livro: “Hasta que La Muerte Los Separe”, por Keith Bentson, Editora Logos.

EXISTE UMA BENÇÃO PARA UM RECASAMENTO?





Existe uma benção para o segundo casamento?



Existe no meio evangélico quase um consenso de que o divórcio e, conseqüentemente, um segundo casamento são atos pecaminosos,indignos de pessoas que declaram Jesus Cristo como Senhor e Salvador.
A posição é baseada em passagens bíblicas como Malaquias 2.16, onde Deus deixa claro que “odeia o divórcio” e que este não foi o plano inicialmente estabelecido para a família. Porém, a própria Palavra do Senhor mostra que em algumas situações como infidelidade, relatada em Mateus 19, ou abandono, como esclarece 1 Coríntios 7.15, a separação é aceita e deixa a pessoa livre da condenação do pecado e do julgamento de outras pessoas.
Apesar das argumentações serem variadas, assim como as interpretações, o notório é que o tema é um tabu entre crentes e gera várias discussões. O assunto ganha mais força num momento onde o número de separações e recasamentos de evangélicos vêm aumentando em todo o mundo. Pesquisa realizada pelo Barna Research Group mostra que o índice de divórcios entre os cristãos americanos é mais elevado do que a média da parcela da população não-crente. Segundo o estudo, 27% das pessoas que declaram Cristo como Senhor já passaram por essa experiência, contra 24% dos adultos não “alcançados”. O Instituto Gallup também rastreou a vida dos casais cristãos americanos e encontrou resultado bastante parecido. A pesquisa apontou que 26% dos protestantes e 23% dos católicos já foram divorciados em algum momento da vida.
No Brasil a situação não é diferente. Em 2005, a Sepal (Servindo Pastores e Líderes), em parceria com o Ministério Apoio, realizou uma pesquisa para traçar o perfil das pessoas sem casamento nas igrejas brasileiras. Um dos objetivos do estudo era “conhecer a realidade afetiva, sexual, familiar e social” das pessoas que não estavam casadas no meio evangélico e preparar a igreja para trabalhar com elas.
O levantamento, feito com 478 evangélicos de diversas denominações de todas as regiões do país, revelou que pessoas entre 41 e 60 anos (79%) que responderam à pesquisa estavam divorciadas. Dos crentes que não estavam casados nas igrejas brasileiras, a partir dos 30 anos, a pesquisa mostrou que 34% dos homens e 32% das mulheres estão divorciados. O estudo revelou ainda que 22% dos homens e 13% das mulheres se encontravam separados.
Ao lado das questões espirituais, e por ser uma decisão que não afeta diretamente a vida do casal, mas de toda a família, é preciso levar em conta vários fatores antes de chegar a uma decisão. Até que ponto o divórcio e o novo casamento são atitudes realmente corretas aos olhos do Senhor? Como a igreja deve lidar com essa crescente situação? O que a Palavra de Deus diz sobre o assunto? Caso existam filhos, como eles reagirão à separação?
Estas são algumas das questões que devem ser feitas. “A decadência moral da sociedade contemporânea está influenciando a igreja. Em vez de a igreja lutar contra a cultura do relativismo mundano, ela está sendo influenciada”, afirma o pastor e escritor Hernandes Dias Lopes.
Lopes explica que em apenas duas situações o divórcio é legitimado: infidelidade (Mt 19.3-12) e abandono (1 Co 7.15). O autor do elucidativo Casamento, Divórcio e Novo Casamento (editora Hagnos) não é favorável à separação. Em sua obra, ele não aborda apenas questões sobre o divórcio, mas mostra ensinamentos para a boa convivência do casal e de como se construir um matrimônio sólido: “Penso que o perdão e a mudança de conduta são melhores do que a separação”.






DEUS DO IMPOSSÍVEL


O perdão é uma das principais características de Deus e do cristianismo ao longo dos séculos. Por meio do seu amor incondicional, o Senhor deixa claro que é capaz de esquecer os erros cometidos por qualquer pessoa que os “confessar” e os abandonar. E no casamento não é diferente.
Um dos exemplos é o de Davi que, mesmo após ter matado e cometido adultério com a mulher de Urias, foi perdoado quando reconheceu seu erro e acabou tornando-se “um homem segundo o coração de Deus”. Além disso, de uma relação que começou ilícita, foi gerado o rei Salomão, e da mesma linhagem nasceu Jesus Cristo.
Além desse exemplo na vida de Davi, a Bíblia registra nos três primeiros capítulos do livro de Oséias a história de Gômer, esposa do profeta que, seduzida pela luxúria, acaba deixando o lar para viver com seus amantes. Este incidente da vida do profeta é usado como exemplo, no texto, para também mostrar a prostituição em que se encontrava Israel, que havia se “cansado” de Deus e se entregado a outros deuses.
No capítulo 3, o Senhor deixa claro que, mesmo traído, não abandonaria Israel, e o mesmo esperava de Oséias. “O Senhor me disse: Vá, trate novamente com amor sua mulher, apesar de ela ser amada de outro e ser adúltera. Ame-a como o Senhor ama os israelitas, apesar de eles amarem outros deuses” (vs.1).
Estudioso do tema e com aproximadamente 25 anos de experiência no aconselhamento de casais, Lopes, que está à frente da 1ª Igreja Presbiteriana de Vitória (ES), explica que as pessoas que optaram pela separação dentro do que é previsto pela Bíblia não podem ser condenadas e nem vistas como pecadoras por decidirem casar novamente.
Para ele, quem proíbe ou condena o novo casamento de divorciados segundo as leis bíblicas comete um erro. “A Bíblia não nos autoriza a colocar esse fardo sobre os ombros daqueles que foram vítimas da infidelidade do cônjuge ou abandonados. Assim, onde a Bíblia permite o divórcio, ela também ratifica o novo casamento”, ensina. “Chamar de pecado o que Deus não chama de pecado é um grave erro. O apóstolo Paulo alerta para o ensino perigoso dos espíritos enganadores que proíbem o casamento (1 Tm 4.3)”, escreve.
Na avaliação do pastor e terapeuta familiar Josué Gonçalves, existe muita “ignorância quando se trata de separação conjugal”. Muitas vezes, a igreja acaba esquecendo de seguir o exemplo da compaixão ensinada por Jesus Cristo e acaba atrapalhando mais do que ajudando as pessoas que foram obrigadas a tomar essa decisão. Embora seja contrário à banalização do casamento, Gonçalves, que atende casais e realiza palestras em várias regiões do Brasil e do exterior, reconhece que, em “alguns casos”, a separação “é uma questão de bom senso e de preservação até da integridade física”. Outro fator para a crise do casamento é a secularização, que tem deixado muitas marcas entre os crentes. “A causa principal é a crise de compromisso que estamos vivendo dentro e fora dos portões da igreja. Amar, antes de ser um sentimento, é uma decisão. Esta decisão precisa ser responsável e de longa duração. A igreja não pode perder o senso de radicalidade do Evangelho”, comenta.
Após cinco anos de casamento, Deborah dos Santos Travassos, 30 anos, foi obrigada a colocar um ponto final em seu casamento depois que descobriu que o ex-marido, que ocupava cargos de liderança, mantinha, há mais de um ano, um caso extraconjugal com uma irmã da igreja onde congregavam. Depois de tomar conhecimento da traição, nos doze meses seguintes ela ainda tentou salvar o casamento. Porém, como o ex-marido não mudou sua conduta, preferindo ficar com a amante, Deborah decidiu buscar a própria felicidade. “Eu estava sendo humilhada e não podia ficar correndo atrá
Embora sua vida espiritual tenha sido inicialmente abalada, Deborah nunca perdeu a fé e a esperança de construir uma família. Orientada por seu pastor e crendo que Deus a ajudaria a solucionar seu drama, ela se casou novamente. Hoje, passados cinco anos ao lado de Moisés, que na época iniciava na caminhada cristã, ela comemora um dos melhores momentos de sua história (Deborah também é mãe de uma linda menina chamada Letícia). “Sempre tive certeza da vitória. E hoje vivo aquele sonho que sempre quis ter”, garante. “Na época, quando tudo aconteceu, muitas pessoas me disseram que a glória da segunda casa seria melhor do que a primeira”, afirma, dizendo que tem vivenciado essa verdade bíblica. “Quando você está na presença de Deus e fazendo as coisas certas, tudo acaba te conduzindo a Ele.”






JOGO ABERTO


Na avaliação do pastor Fausto Brasil, responsável pelo Ministério Apoio, entidade cristã fundada em 1996 com o objetivo de atender pessoas “solteiras, divorciadas e viúvas”, a igreja deve, primeiramente, ser honesta ao ensinar à congregação o que crê. “Se o novo casamento não faz parte de suas convicções, seus membros precisam saber disso e o porquê”, diz. “Outra situação é a igreja não aceitar o divorciado casado de novo como membro. Ela pode até não aceitar, mas não pode impedir que estes freqüentem as reuniões e os cultos, e, por mandamento, deve amar a todos indistintamente.”
Fausto Brasil avalia que considerar todos os divórcios e o segundo casamento como algo pecaminoso é um grave erro. Porém, explica que se uma pessoa sair de casa, assumir um “relacionamento adúltero”, não se arrepender de seu ato e não buscar restaurar seu casamento, mas mantê-lo desta forma, “está, sim, em pecado”. “Ao falar sobre divórcio, Jesus é muito claro em afirmar que o mesmo ocorre devido à ‘dureza do coração’ (Mateus 19.8). Quando o coração de um, do outro ou dos dois endurece, não há mais espaço para arrependimento, para perdão, para reconciliação, e a separação parece ser a saída.”
O pastor conta que atendeu a um caso em sua igreja em que a mulher era agredida fisicamente pelo marido. Mesmo depois de muita conversa, acompanhamento de especialistas e aconselhamento pastoral, as surras à esposa e aos filhos não cessaram. Em várias ocasiões, as sessões de violência e ameaças de morte terminavam na delegacia. “Como dizer que aquela família levava uma vida de bênçãos se dentro de casa era um inferno?”, questiona pastor Rocha. Depois de acompanhar de perto, durante anos, aquela situação e não ver nenhuma evolução, o pastor começou a temer o pior e sugeriu a separação do casal. “Como poderia dizer para a pessoa continuar casada numa situação dessas? Ela e as crianças corriam sérios riscos de vida”, enfatizou.
Numa situação extrema como essa, o pastor Ciro Eustáquio Lima de Paula, responsável pela Rede da Família, que desenvolve diversas atividades com fundamentação bíblica para atender lares em diversas áreas, revela que não incentivaria o rompimento dos laços matrimoniais. “Mesmo que o agressor passe um período na cadeia, preferimos que o casal permaneça casado.”
Josué Gonçalves afirma que cada divórcio tem uma história e os diversos casos não podem ser tratados de forma generalizada. Falta de maturidade, de comunicação, desajuste sexual, ciúme doentio, insatisfação sexual, falta de conselheiro, intromissão de parentes no casamento, desequilíbrio financeiro, incompatibilidade espiritual e falta de perdão são as principais causas que têm levado casais a terminarem um matrimônio. Nessa circunstância, a congregação, como defensora da família, tem importantes papéis a cumprir, como preparar os que vão se casar, tratar das uniões em crise e socorrer as pessoas que passaram pelo divórcio. “A igreja deve buscar sempre trabalhar na restauração dos casamentos arruinados. Porém, existem pessoas que foram abandonadas, traídas, forçadas por uma situação irreversível e precisam ser assistidas, tratadas, apoiadas e curadas.
A igreja é uma grande clínica da alma: tem a missão de curar aqueles que sofreram uma separação que sempre é traumática”, frisa.






ANALISANDO AS EXCRITURAS


Verificar o que realmente diz as Escrituras é uma das lições para contrariar o radicalismo e as interpretações equivocadas da Palavra de Deus nessas situações. Para Jaime Kemp, fundador do Ministério Lar Cristão, entidade que tem ajudado milhares de pessoas a restaurarem a harmonia de suas casas, o pastor que se separou sem o consentimento bíblico perde a ‘autoridade’ e ‘credibilidade’ para permanecer diante do trabalho. Ele lembra que em 1 Timóteo 3, o apóstolo Paulo deixa registrado que o líder precisa tomar alguns cuidados no exercício da atividade ministerial, como ‘ser marido de uma só mulher’ e ‘não ser motivo de acusação’.
“Em minha opinião, se o líder se divorciou em base não bíblica, perdeu a unção para ficar no cargo de liderança.” Para ele, um dos motivos que tem gerado a “epidemia” de separações e recasamentos nos púlpitos é a má interpretação das Escrituras. “Há pessoas que não têm conhecimento da Palavra de Deus e acabam ensinando heresias”, afirma. Para mudar essa situação, é preciso voltar a ensinar a Palavra, estabelecer regras claras para que todos na igreja fiquem cientes e preparar os casais para enfrentar as adversidades. “Nós deveríamos fazer a diferença, ser sal e luz para modificar e transformar a sociedade, mas hoje é a sociedade que está nos transformando.”As histórias pessoais de Adolfo Carmo Costa e Deize de Paula Costa são parecidas. Ambos foram casados antes de se converterem, se separaram, e os antigos companheiros não estão mais vivos. Casados há 28 anos, eles construíram uma família e hoje são vistos como exemplo por muitos amigos e familiares. Sempre que um dos filhos enfrenta problemas no casamento, vão buscar o conselho dos pais.
Adolfo Costa, que é pastor há 15 anos e atualmente lidera a Igreja Evangélica Congregacional em Santos (SP), acredita que a falta de orientação é, hoje, a principal causa para o alto índice de divórcios na igreja. Para evitar que problemas ocorram e o número de separações aumente, ele defende que a igreja tenha um grupo de apoio que preste auxílio aos casais e oriente na educação dos jovens em relação ao casamento. “Um casal tem o direito de se unir e ser feliz. É isso o que o Senhor quer de nós”, ressalta.
A Rede da Família está ligada à Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte (MG) e acompanha o casal desde o namoro. Os noivos passam por um estudo bíblico antes de trocarem as alianças e, após o casamento, têm a oportunidade de fazer cursos voltados para diversas áreas da vida familiar, como finanças e criação de filhos. “Trabalhamos no sentido de o casamento não ser desfeito”, explica o pastor Ciro Eustáquio.
A grande quantidade de informações acaba se refletindo positivamente na vida dos casais. Segundo ele, a média de separações das pessoas que passam pelo curso está aproximadamente 5% inferior aos 30% da média brasileira.
Nas situações de pessoas que desejam se casar novamente, um dos cuidados é analisar, por meio de uma entrevista, se a primeira separação teve fundamentação bíblica. “Tem casos em que não aconselhamos e não realizamos o casamento.”
Para mudar o quadro atual, além do investimento na educação, participação da igreja e preparação dos jovens, os bons exemplos a ser seguidos precisam partir de casa. Nessa missão, o pastor e terapeuta familiar Josué Gonçalves sugere que os pais devem servir como espelho e viver uma vida conjugal equilibrada para que os filhos trilhem os mesmos modelos ao longo da vida. “Cada um de nós é responsável pela decisão que toma, pois a Palavra está aberta para todos como um aferidor que deve nos dirigir em cada escolha que fazemos”, ensina.
Para o casal Jessé Bueno de Oliveira e Suely Lemes Barbosa de Oliveira, diretores nacionais do MMI (Marriage Ministries International) Brasil, entidade que promove o Curso Casados para Sempre, o casamento não deve ser desfeito em nenhuma circunstância. Na avaliação deles, as igrejas que aceitam e realizam o casamento de pessoas separadas estão abrindo precedentes para que outros casos de separação ocorram. “Às pessoas que já passaram por esta experiência de divórcio e novo casamento orientamos a respeito do arrependimento, porque um pecado é o divórcio, e o outro é o segundo casamento”, afirma.
Nos cursos realizados em todo o Brasil, o aconselhamento é valorizado pelo bem da família, e homens e mulheres são orientados a lutar pelos seus casamentos, independentemente das situações que os levaram ao rompimento. “Se lutarmos pela manutenção da aliança, que é o plano original de Deus, certamente ajudaremos a evitar muitos problemas futuros. Cremos em um Deus todo-poderoso, para quem não há impossíveis”, arremata o casal.